Rebirth

Rebirth – Angra

“Refrescante brisa de um dia de verão
Ouvindo ecos de seu coração
Aprendendo a recompor as palavras
Deixo o tempo voar

Alegres gaivotas vagam nas praias
Não soará uma só nota
Ergo minha cabeça após enxugar meu rosto
Deixo o tempo voar

Relembrando, recuando
Retornando, recordando
Uma conversa fiada da qual sente falta
Mais sagaz porém mais velho agora

Um líder, um aprendiz
Um leal iniciante
Um locatário de insensatez
Tão lúcido numa selva
Um ajudante, um pecador
O sorriso agonizante de um espantalho

Minutos giram e giram
Em minha cabeça
Meu peito explodirá
Caindo em pedaços
A chuva chega ao solo…. sangue!

Um minuto para sempre
Um pecador se arrependendo
Termina minha vulgar miséria

Vou pelos ventos de um novo dia
Alto aonde as montanhas alcançam
Reencontrei minha esperança e orgulho
Renascimento de um homem”

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Hora de voar…

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Rafael Bittencourt e Kiko Loureiro
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# A Menina Zumbi segue voando,
# Só que agora mais alto.
# renasce a cada mergulho
# Mais forte, mais viva…

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Nascente

 

Beto Guedes
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Clareia manhã
O sol vai esconder a clara estrela
Ardente, pérola do céu refletindo teus olhos
A luz do dia a contemplar seu corpo
Sedento, louco de prazer e desejos
Ardentes…

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# Os últimos dias tinham sido difíceis e
# Fizeram com que a Menina se visse perdida e só,
# Mas hoje, quando já comecava a contar quantas
# Vezes tinha visto o sol se pôr apenas nesse dia,
# Sentiu que o Menino dos Olhos de Diamante voltara,
# Ele que havia feito uma grande viagem
# Enquanto ela sonhava, estava agora bem próximo…
# Procurou os sinais e os encontrou em algumas
# Poucas palavras repletas de reticências……….
# Ficou agitada, mas feliz, e
# Seu coração sentiu um calor intenso…
# Às vezes ela não tinha certeza
# Se estava sonhando o que sonhava…
# E como em todas as noites que não conseguia
# Dormir, sentou-se no jardim da gaiola
# E esperou o céu clarear e colorir o dia…
# Seus sorrisos encheram o jardim de felicidade
# E ela sorriu mais ainda..
# Foi quando percebeu que sentia sono…
# Ela deitou, dormiu e sonhou mais um sonho.

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# Nascente é uma belíssima música de Beto Guedes
# Simples e completa…

Soneto

De Luiz de Camões
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Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

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# E o Menino dos Olhos de Diamantes
# Continuava distante… mas a distância
# O fazia cada dia mais presente…
# A Menina Zumbi podia quase sentir-lhe
# Os movimentos, pois o cheiro dele
# A envolvia em círculos
# E a fazia girar…

# E ainda continua a Lenda do
# Menino dos Olhos de Diamante
# E a Menina Zumbi…

O pôr-do-Sol…

Por Antoine de Saint-Exupéry
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Assim eu comecei a compreender, pouco a pouco, meu pequeno principezinho, a tua vidinha melancólica. Muito tempo não tiveste outra distração que a doçura do pôr-do-sol. Aprendi esse novo detalhe quando me disseste, na manhã do quarto dia:

– Gosto muito de pôr-do-sol. Vamos ver um …
– Mas é preciso esperar.
– Esperar o quê?
– Esperar que o sol se ponha.

Tu fizeste um ar de surpresa, e, logo depois, riste de ti mesmo. Disseste-me:
Eu imagino sempre estar em casa!

De fato. Quando é meio-dia nos Estados Unidos, o sol, todo mundo sabe, está se deitando na França. Bastaria ir à França num minuto para assistir ao pôr-do-sol. Infelizmente, a França é longe demais. Mas no teu pequeno planeta, bastava apenas recuar um pouco a cadeira. E contemplavas o crepúsculo todas as vezes que desejavas. . .

Um dia eu vi o sol se pôr quarenta e três vezes!
E um pouco mais tarde acrescentaste:
Quando a gente está triste demais, gosta do pôr-do-sol …
– Estavas tão triste assim no dia dos quarenta e três?
Mas o principezinho não respondeu.

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# Ontem eu vi o sol se por quarenta e três vezes…
# Tempo de recomeçar!

Angústia… O tempo será uma ilusão, mas o passado é irreparável

Álvaro de Campos
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Na noite terrível, substância natural de todas as noites,
Na noite de insónia, substância natural de todas as minhas noites, Relembro,
velando em modorra incômoda,
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.
Relembro, e uma angústia
Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo.
O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver!
Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão.
Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.
Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures,
Na ilusão do espaço e do tempo,
Na falsidade do decorrer.

Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;
O que só agora vejo que deveria ter feito,
O que só agora claramente vejo que deveria ter sido —
Isso é que é morto para além de todos os Deuses,
Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver. . .

Se em certa altura
Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;
Se em certo momento
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;
Se em certa conversa
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro —
Se tudo isso tivesse sido assim,
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro
Seria insensivelmente levado a ser outro também.

Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,
Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo;
Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;
Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,
Claras, inevitáveis, naturais,
A conversa fechada concludentemente,
A matéria toda resolvida. . .
Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói.

O que falhei deveras não tem esperança nenhuma
Em sistema metafísico nenhum.
Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei.
Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?
Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.
Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos.
Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca
Como uma verdade de que não partilho,
E lá fora o luar, como a esperança que não tenho, é invisível p’ra mim.

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# Álvaro de Campos, um dos heterônimos de Fernando Pessoa
# (1888-1935)

# Mais sobre Fernando Pessoa neste LINK

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# Releia ao som de Lullaby, Nox Arcana…

Chuva no Jardim da Gaiola

Cristina Leal
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Fosse eu água
Como poderia flutuar?

Mas penso no prazer
que deve “ser água”

E aguar…

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# Mais uma noite no jardim da gaiola…
# O céu estava nublado e na direção do mar
# Podia-se ver a chuva chegando lentamente,
# O pouco que a Menina Zumbi podia ver do
# Céu era azul acinzentado e os primeiros pingos de
# Chuva já começavam a cair…
# Ela, como adorava água,
# Aproximou-se um pouco mais da grade,
# E pode então sentir a pele se molhar
# Enquanto apreciava o brilho dos
# Relâmpagos que vinham da direção contrária…
# Sentiu a falta do Menino dos Olhos de Diamante
# E desejou de todo o coração que ele estivesse ali…
# A chuva fina continuo até o amanhecer…

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# “How I wish, how I wish you were here
# We’re just two lost souls
# Swimming in a fish bowl,
# Year after year,
# Running over the same old ground.
# What have we found?
# The same old fears
# Wish you were here”

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Melhor ler ouvindo Wish You Are Here, Pink Floyd…

Fragmentos…

Cristina Leal
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Imagens refletidas
Em espelhos distorcidos
Explodem em fragmentos
Pedaço de uma existência

Fragmentos de reflexos
Misturados à distorção
Refazem imagens já perdidas
Entre passado e futuro

Gritos mudos em
Frases desfeitas
Perdem-se nas marcas
Que o sangue não escorre

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# Enquanto o Menino dos Olhos de Diamante
# Dormia em alguma floresta, choveu…
# Passado e futuro se misturaram
# Na dança do vento…
# A Menina Zumbi
# Se encheu de coragem
# E preparou-se para uma longa jornada
# Solitária e  necessária…

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# “You’ve had your last regrets
# Reached your final depths, deepest pits
# Stepped aside for the world to pass you by
# Chose to leave the fear
# You are stuck in a world of deadlocks
# This time it’s real, this time it’s for real…”

# Deadlocked, Tristania