O Menino Robô

Tim Burton
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“…Senhor e senhora Silva levavam uma vida sossegada.
Vida de gente normal, feliz e bem casada.
Um dia tiveram uma notícia que encheu o marido de contentamento:
A mulher esperava um filho,
E ele ia ser pai do rebento!
Mas algo deu errado naquele mar de felicidade.
A criança era… um robô!
Não parecia gente de verdade.
Um bebê nem quente nem fofo, que estranho!
A pele: uma fria e fina chapa de estanho.
Da cabeça lhe saiam antenas e fios.
E ele ficava largado, sempre com olhos parados,
Nem morto nem animado.

Quando até a tomada um longo fio elétrico se estedia,
Este era o único momento do dia
Em que ele ficava cheio de energia.

O senhor Silva não conteve os berros:
“O doutor não cometeu um grave erro?
Nem sangue nem carne tem o menino,
mas é uma simples liga de alumínio!”

O doutor, gentil, lhe respondeu:
“O que vou lhe dizer
Pode parecer extravagante
Mas o senhor não é o pai desse garoto mutante.
Veja bem, a questão não é simples
e requer investigação profunda,
mas achamos que o pai dele
É um forno micro-ondas.”

Agora a vida dos Silva
Tornou-se um fardo pesado.
A senhora odiava seu marido,
e ele já não se via mais casado.
Não perdoou a esposa por aquela
ligação mesquinha:
A união carnal
Com um aparelho de cozinha.

Apesar de tudo, o menino cresceu
E se tornou um robô jovem.

Mas muitas vezes o confundem
Com a lata de lixo da garagem…”

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# E assim é que é…

A Fonte

Extraído do livro O Pequeno Príncipe
de Antoine de Saint Exupéry
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– Bom dia, disse o principezinho.
– Bom dia, disse o vendedor.
Era um vendedor de pílulas aperfeiçoadas que aplacavam a sede. Toma-se uma por semana e não é mais preciso beber.
– Por que vendes isso? perguntou o principezinho.
– É uma grande economia de tempo, disse o vendedor. Os peritos calcularam – A gente ganha cinqüenta e três minutos por semana.
– E que se faz, então, com os cinqüenta e três minutos?
– O que a gente quiser…
“Eu, pensou o principezinho, se tivesse cinqüenta e três minutos para gastar, iria
caminhando passo a passo, mãos no bolso, na direção de uma fonte. . .”

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# E eu também…

Sobre a Razão e a Paixão…


Por Khalil Gibran
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E a sacerdotiza voltou a falar e disse, Fala-nos da Razão e da Paixão.
E ele respondeu, dizendo:

A vossa alma é muitas vezes um campo de batalha, em que a vossa razão e o vosso julgamento estão em guerra contra a vossa paixão e o vosso apetite. Pudesse eu ser o pacificador da vossa alma e transformaria a discórdia e a rivalidade dos vossos elementos numa união e melodia.

Mas como o poderia fazer, a menos que vós também fosseis pacificadores, amantes de todos os vossos elementos?

A vossa razão e a vossa paixão são o leme e as velas da vossa alma navegante. Se um de vós navegar e as velas se partirem, só podereis andar à deriva ou ficar imóveis no meio do mar. Pois a razão, só por si, é uma força confinante; e a paixão, não controlada, é uma chama que arde provocando a sua própria destruição.

Por isso deixai a vossa alma exalar a vossa razão até ao auge da paixão, de forma a poder cantar; E deixai que ela oriente a vossa paixão com razão, de forma a que a vossa paixão possa viver através da sua ressurreição diária, e, qual fénix, renascer das próprias cinzas.

Eu comparo o vosso julgamento e o vosso apetite com dois hóspedes queridos que recebeis na vossa casa. Com certeza não irieis favorecer um mais que o outro; pois aquele que o fizer perderá o amor e a confiança dos dois.

Entre as colinas, quando vos sentais à sombra fresca dos brancos álamos, disfrutando da paz e serenidade dos campos e prados distantes deixai o vosso coração dizer silenciosamente, “Deus repousa na razão”.

E quando vier a tempestade, e o vento forte assolar a floresta, e a trovoada e os relâmpagos proclamarem a majestade do céu, deixai que o vosso coração diga “Deus move-se na paixão”.

E uma vez que sois um sopro na esfera de Deus e uma folha na floresta de Deus, também vós devieis repousar na razão e mover-vos na paixão.

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# “…Quero vivê-lo em cada vão momento
# E em seu louvor hei de espalhar meu canto
# E rir meu riso e derramar meu pranto
# Ao seu pesar ou seu contentamento…”

# E assim é que é…

Sobre o Autoconhecimento…

Do livro: O Profeta – Kalil Gibran
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Então um homem disse,
Fala-nos do autoconhecimento.

E ele respondeu, dizendo:
Os vossos corações conhecem em silêncio os segredos dos dias e das noites.
Mas os vossos ouvidos anseiam pelo som do conhecimento do vosso coração.
Vós sabeis por palavras aquilo que sempre soubestes em pensamento.
Tocais com a ponta dos dedos o corpo nu dos vossos sonhos.
E ainda bem que assim é.

A nascente oculta da vossa alma deve erguer-se e correr a murmurar para o mar, e o tesouro das vossas profundezas infinitas será revelado perante os vossos olhos.
Mas que não haja medidas para pesar o vosso tesouro desconhecido;
E não procureis as profundezas do vosso conhecimento com limites.
Pois o ser em si não tem limites nem medidas.

Não digais “Encontrei a verdade”, mas antes “Encontrei uma verdade.”
Não digais “Encontrei o caminho para a alma”, mas antes “Encontrei a alma a seguir o meu caminho”.
Pois a alma percorre todos os caminhos.
A alma não percorre uma linha, nem cresce como um caniço.
A alma desvenda-se a si própria como um lotus de incontáveis pétalas.

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# E quando pensamos “vi quase tudo, senti quase tudo”
# é quando a vida mostra que ainda nem começamos a engatinhar…

# Dedico este post àquelas pessoas que por estarem sempre em busca
# de conhecimento, tornam-se ainda mais especiais. São corações e
# mentes iluminados, abertos e incansáveis na busca… uma riqueza!

# “Mas que não haja medidas para pesar o vosso tesouro desconhecido;
# E não procureis as profundezas do vosso conhecimento com limites.
# Pois o ser em si não tem limites nem medidas.”
# [Gibran]

O Tamanho das Pessoas…

William Shakespeare
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Os Tamanhos variam conforme o grau de envolvimento…

Uma pessoa é enorme para ti, quando fala do que leu e viveu, quando te trata com carinho e respeito, quando te olha nos olhos e sorri .

É pequena para ti quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o carinho, o respeito, o zelo e até mesmo o amor

Uma pessoa é gigante para ti quando se interessa pela tua vida, quando procura alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto contigo. E pequena quando se desvia do assunto.

Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.

Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos da moda.

Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.

Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.

É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. O nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de ações e reações, de expectativas e frustrações.

Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande… é a sua sensibilidade sem tamanho.

 

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# Beĺissimo texto de Shakespeare.
# Realmente, as relações humanas são bem complicadas,
# mas é bem importante praticar interação social… tenho me esforçado bastante!

Sobre o Trabalho

Extraído do livro O Profeta de Kalil Gibran
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Depois um operário disse-lhe, Fala-nos do Trabalho.
E ele respondeu, dizendo:

Vós trabalhais para poder manter a paz com a terra e a alma da terra.

Pois ser ocioso é tornar-se estranho às estações e ficar afastado da procissão da vida que marcha majestosamente e com orgulhosa submissão em direção ao infinito.

Quando trabalhais sois uma flauta através da qual o sussurro das horas se transforma em música.

Qual de vós quereria ser uma cana muda e silenciosa, quando tudo o resto canta em uníssono?

Sempre vos disseram que o trabalho é uma maldição e o labor um infortúnio.

Mas eu digo-vos que quando trabalhais estais a preencher um dos sonhos mais importantes da terra, que vos foi destinado quando esse sonho nasceu, e quando vos ligais ao trabalho estais verdadeiramente a amar a vida, e amar a vida através do trabalho é ter intimidade com o segredo mais secreto da vida.

Mas se na dor chamais ao nascimento uma provação e à manutenção da carne uma maldição gravada na vossa fronte, então digo-vos que nada, excepto o suor na vossa fronte, apagará aquilo que está escrito.

Também vos foi dito que a vida é escuridão, e no vosso cansaço fazeis-vos eco de tudo o que os cansados vos disseram.

E eu digo que a vida é mesmo escuridão exceto quando existe necessidade,
E toda a necessidade é cega exceto quando existe sabedoria.
E toda a sabedoria é vã exceto quando existe trabalho,
E todo o trabalho é vazio exceto se houver amor;

E quando trabalhais com amor estais a ligar-vos a vós mesmos, e uns aos
outros, e a Deus.

E o que é trabalhar com amor?

É tecer o pano com fios arrancados do vosso coração, como se os vossos bem amados fossem usar esse pano.
É construir uma casa com afeto, como se os vossos bem amados fossem viver nessa casa.
É semear sementes com ternura e fazer a colheita com alegria, como se os vossos bem amados fossem comer a fruta.
É dar a todas as coisas um sopro do vosso espírito, e saber que todos os abençoados defuntos estão à vossa volta a observar-vos.

Muitas vezes vos ouvi dizer, como se estivesseis a falar durante o sono,

“Aquele que trabalha o mármore e encontra na pedra a forma da sua própria alma é mais nobre do que aquele que trabalha a terra. E aquele que agarra o arco-íris para o colocar numa tela à semelhança do homem, é mais do que aquele que faz as sandálias para os nossos pés.”

Mas eu digo, não no sono, mas no despertar, que o vento não fala mais docemente com o carvalho gigante do que que com a mais ínfima erva; E é grande aquele que, sozinho, transforma a voz do vento numa canção tornada doce pelo seu amor.

O trabalho é o amor tornado visível.

E se não sabeis trabalhar com amor mas com desagrado, é melhor deixardes o trabalho e sentar-vos à porta do templo a pedir esmola àqueles que trabalham com alegria.

Pois se fizerdes o pão com indiferença, estareis a fazer um pão tão amargo que só saciará metade da fome.
E se esmagardes as uvas de má vontade, essa má vontade contaminará o vinho com veneno.
E se cantardes como anjos mas não apreciardes os cânticos, estareis a ensurdecedor os ouvidos do homem às vozes do dia e às vozes da noite.
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# A importância de fazer as coisas com amor é enorme… o produto final de um trabalho
# feito com paixão tem um brilho especial não apenas para quem o realizou, mas para
# qualquer um que tenha o mínimo de sensibilidade!